Voltar ao blog Artigo

Fui Vítima de um Golpe Bancário: o Passo a Passo para Tentar Reaver o Prejuízo

O passo a passo para uma empresa vítima de fraude bancária: reação nas primeiras horas, MED, boletim de ocorrência e quando o banco deve indenizar.

5 min de leituraAtualizado em 14 de agosto de 2026Parte 5 de 5
Em resumo

Se a sua empresa foi vítima de uma fraude bancária, as primeiras horas são decisivas. Comunique o banco imediatamente, acione o MED em caso de Pix (prazo de até 80 dias, mas quanto antes melhor), troque senhas, registre boletim de ocorrência e preserve todas as provas. Em paralelo, avalie a responsabilidade do banco: a Súmula 479 do STJ prevê responsabilidade objetiva por falhas de segurança nas operações bancárias, o que pode gerar direito à indenização mesmo quando o valor não é recuperado administrativamente.

Descobrir que a empresa foi vítima de um golpe provoca uma mistura de pânico e paralisia — justamente o estado que mais atrapalha a recuperação. Antes de tudo, um lembrete importante: cair em um golpe não é descuido nem burrice. Os criminosos são organizados e usam técnicas de manipulação que enganam profissionais experientes. O que separa quem recupera o dinheiro de quem o perde, na maioria das vezes, é a rapidez e o método da reação.

Este é o guia dessa reação, em duas frentes: o que fazer nas primeiras horas e como avaliar a responsabilidade do banco.

Parte 1 — As primeiras horas (aja imediatamente)

O tempo é o fator mais decisivo. Siga esta ordem:

  1. Comunique o banco imediatamente pelos canais oficiais. Peça o bloqueio da conta, dos cartões e das operações, e registre o número de protocolo de cada contato.
  2. Acione o MED se a fraude envolveu Pix. O Mecanismo Especial de Devolução permite bloquear e tentar devolver o valor; o pedido pode ser feito em até 80 dias, mas agir no mesmo dia aumenta muito as chances. (Entenda em detalhe no artigo sobre golpes do Pix e o MED.)
  3. Troque todas as senhas e revogue acessos e dispositivos autorizados. Se houve instalação de aplicativo ou invasão de e-mail, trate esses pontos com prioridade.
  4. Registre boletim de ocorrência. Ele é prova essencial para o MED, para reclamações e para uma eventual ação judicial.
  5. Preserve todas as provas (veja a lista abaixo).

Parte 2 — Reúna e preserve as provas

A recuperação, administrativa ou judicial, depende de documentação. Guarde:

Parte 3 — Registre as reclamações formais

Além do banco, formalize o caso nos canais adequados. Reclamações registradas ajudam a documentar a ocorrência e podem reforçar uma futura ação. Peça sempre a resposta do banco por escrito e guarde o protocolo — a recusa ou a demora injustificada da instituição são elementos relevantes para a discussão de responsabilidade.

Parte 4 — Avalie a responsabilidade do banco

Aqui está o ponto que a maioria das empresas desconhece: recuperar o valor não depende apenas de o golpista ainda ter o dinheiro. Quando há falha de segurança do banco, pode existir direito à indenização.

A Súmula 479 do STJ estabelece que as instituições financeiras respondem de forma objetiva — isto é, independentemente de culpa — pelos danos causados por fraudes praticadas no âmbito das operações bancárias. Os tribunais têm considerado que sinais como transferências vultosas, contratação súbita de empréstimos e movimentações em sequência fora do padrão do cliente deveriam acionar mecanismos de bloqueio ou validação reforçada dentro dos Bancos. A ausência dessas medidas pode caracterizar defeito na prestação do serviço — e, com ele, o dever de reparar o dano, que pode incluir tanto o prejuízo material quanto o dano moral.

Isso não é automático: depende da análise do caso concreto, das provas e de como a fraude ocorreu. Mas significa que a empresa vítima tem, muitas vezes, um caminho a percorrer além da tentativa administrativa — e é exatamente aí que a assessoria jurídica especializada faz diferença.

Parte 5 — Quando buscar a via judicial

Nem todo caso exige ação judicial; às vezes a via administrativa resolve. A decisão depende do valor, das provas, do custo e da real possibilidade de responsabilização. Uma análise técnica no início evita perder tempo e prazos, ajuda a preservar as provas certas e indica o caminho mais proporcional — administrativo ou judicial. Quando há falha de segurança demonstrável, a ação de indenização contra o banco costuma ser o caminho para reaver o prejuízo que não voltou pela devolução.

Perguntas frequentes

O banco é obrigado a devolver o dinheiro de um golpe?

Não automaticamente. A Súmula 479 do STJ prevê a responsabilidade objetiva do banco por fraudes nas operações bancárias, mas o dever de indenizar depende de ficar demonstrada uma falha de segurança, como o não bloqueio de uma movimentação claramente atípica.

Qual o prazo para tentar recuperar o valor?

Para o MED (Pix), até 80 dias, mas quanto antes melhor. Para a discussão de responsabilidade do banco, os prazos são outros e dependem da via escolhida — por isso vale procurar orientação jurídica cedo, para não perder direitos.

Preciso registrar boletim de ocorrência?

Sim. O B.O. é prova essencial para o MED, para as reclamações e para uma eventual ação judicial. Registre-o assim que possível.

Vale a pena entrar na Justiça contra o banco?

Depende do caso — do valor, das provas e da possibilidade real de responsabilização. Uma análise jurídica inicial indica se a via judicial é proporcional ou se uma solução administrativa resolve.

Aviso importante

Este conteúdo é informativo e não constitui parecer jurídico. Cada caso deve ser analisado individualmente por um advogado.

Maline Cristine Immig Konrad
Sobre a autora

Maline Cristine Immig Konrad

OAB/RS 77.932 · Sócia-fundadora da Vargas e Konrad

Advogada formada pela Universidade Feevale, é sócia-fundadora da Vargas e Konrad e atua na defesa de empresas em Direito Bancário e Direito do Trabalho. Pós-graduada em Direito Ambiental pela UNISINOS, presidiu a Comissão de Direito de Meio Ambiente da OAB — Subseção de Novo Hamburgo/RS.

Ver perfil completo →
Série · Fraudes bancárias contra empresas
Outra série do blog

Fraude não é o único conflito que a empresa tem com o banco. Se o problema é dívida, veja a série Gestão de passivo bancário: como o banco avalia o risco do seu CNPJ, quais encargos merecem análise e como chegar preparado a uma renegociação.

Fale com a Vargas e Konrad

Sua empresa foi vítima de uma fraude bancária?

Não enfrente o banco sozinho. Nossa equipe orienta a reação imediata, preserva as provas e avalia o direito à indenização pelo prejuízo. Fale conosco o quanto antes — o tempo é decisivo.

Falar com a equipe no WhatsApp

Atendimento a empresas. Resposta em horário comercial.